terça-feira, 18 de março de 2014

Recado de um deficiente visual

Recado de um deficiente visual
Eu perdi um pouco de minha visão aos quatro anos. Bastante visão aos dezesseis e, praticamente tudo, do pouco que me restava, uns três anos depois.
Tive momentos difíceis na hora de estudar, na hora de querer namorar, na hora de querer dançar em uma festa.
Não é fácil se adaptar ao mundo quando não se enxerga, mas é importante entender que poucas coisas realmente valiosas são fáceis.
Rapidamente, percebi que tinha só duas opções. Eu podia ficar fechado em casa, chorando, porque era uma vítima. Ou podia sair e viver a vida.
Foi fácil entender isso intelectualmente. Emocionalmente, demorei um pouco para aceitar esta simples lógica.
Eu queria trabalhar, ter responsabilidade, ser produtivo, ser amado, casar, ser independente. Nada disso me seria garantido se eu arriscasse e fosse à luta.
Mas, se eu ficasse me sentindo uma vítima, era certo que nunca teria nada do que queria. A decisão era fácil, embora a luta não fosse.
Acredito que algo que sempre incomoda quando se está enfrentando um desafio, como a cegueira, é que acreditamos que tudo isso é injusto. Por que eu? Por que eu estou ficando cego?
Com certeza, outras pessoas se perguntam outras coisas como: Por que eu tenho câncer? Por que não tenho dinheiro? Por que não sou o homem mais bonito ou popular?
O interessante é que sempre achamos que o nosso problema é o mais sério.
O certo é que não damos valor a nada do que temos. Então, sempre parece que não temos nada. Só damos valor a coisas que perdemos.
Quando estava fazendo mestrado em Washington, triste por algum motivo, nem sei se era porque, como cego, estava tendo dificuldades ou se meu computador estava com problemas, escutei, através do rádio, as notícias de um professor universitário na Califórnia que era quadriplégico.
Ele precisava pegar um lápis com sua boca e escrever no seu computador, apertando uma tecla de cada vez.
Imagine: eu me sentindo a maior vítima. No entanto, eu podia andar por todo o campus, sem ajuda de ninguém, podia escrever mais rápido à máquina do que qualquer pessoa na minha sala.
Aquele professor me ajudou a valorizar muitas coisas que eu não estava dando importância. Perguntei-me: O que é justo? O que é injusto?
É justo eu ter pernas quando não as utilizo para ganhar medalhas nas Olimpíadas? Ou não as uso para ajudar o próximo e nem sequer as valorizo?
É justo eu ter um cérebro e não utilizá-lo ao máximo? É justo eu ter braços fortes e não usá-los para abraçar, demonstrar meu amor a quem, todos os dias, me dá tanto?
É justo eu ter uma vida e não me lembrar de agradecer, todos os dias, aos meus pais por me terem permitido nascer?
É justo eu ter uma esposa, um curso universitário, um coração que pulsa, rins que funcionam, pulmões fortes, mãos rijas, e não me recordar de dizer ao meu criador: Obrigado, Deus, por me teres criado?
*   *   *
A carta que acabamos de ler é de um jovem brasileiro, que trabalha em Nova Iorque. Sua filosofia pessoal, com certeza, não alentará somente aqueles que estão enfrentando cegueira física, mas também a todos aqueles de nós que portamos a cegueira espiritual, que não nos permite enxergar as bênçãos de que somos portadores.
Pensemos nisso e mudemos o foco das nossas vidas de lutas, dissabores e dificuldades para vidas de oportunidades, testes e aprendizado.

Redação do Momento Espírita, a partir de carta de Fernando
Botelho, endereçada a um jovem cego de nome Juliano, residente em
Curitiba, Estado do Paraná.
Em 7.3.2014.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Pérolas do coração

Conta-se que em um reino havia um rei que, por sua bondade e justiça, era amado por todo seu povo.
Todos os anos, no dia do seu aniversário, um grande jantar era organizado e os três maiores nobres do reino lhe ofertavam presentes.
A esperada data havia chegado. Um grandioso banquete foi preparado.
O momento da entrega dos presentes se avizinhava e um dos três nobres não havia chegado.
Como não podiam mais aguardar, os outros dois se aproximaram do trono.
O primeiro deles ofereceu ao rei um livro, que continha ricas lições de sabedoria.
O soberano sorriu e agradeceu pela gentileza, mas não demonstrou muita empolgação diante do presente recebido.
O segundo ofertou ao rei um belíssimo anel de ouro, que foi recebido com um sorriso e um aceno de cabeça mas, também, sem muita animação.
Foi nesse momento que adentrou o salão o terceiro nobre que, prostrando-se diante do rei, lhe disse:
Majestade, eu não sou digno de vos olhar. Perdoai-me o atraso e também por não vos haver trazido um presente digno de vossa grandeza.
O rei, paciente, olhou para seu súdito e indagou:
Mas, por qual razão tu te atrasaste?
Meu senhor, respondeu o nobre, eu vinha pela estrada trazendo-vos duas preciosíssimas pérolas.
Porém, ao longo do caminho, deparei-me com uma mulher que trazia consigo um filho e ambos estavam famintos.
Para que ela pudesse se estabelecer com a criança em uma estalagem e receber adequada alimentação diária, ofertei ao dono do estabelecimento uma das pérolas.
Ainda no caminho, prosseguiu ele, encontrei um homem que, tendo sua esposa muito doente, pedia esmolas a fim de lhe custear o tratamento de saúde.
Como ninguém o ajudava, entreguei a última pérola, para que ele tivesse as condições necessárias para tratar a doença da esposa.
Por isso, majestade, atrasei-me e tenho as mãos vazias.
Com um largo sorriso no rosto, o rei se levantou do trono, abraçou o súdito e lhe disse:
Homem de bom coração, trazes hoje grande alegria para mim, pois só é possível um homem ser feliz, verdadeiramente, quando os pequenos que o cercam são engrandecidos pelas pérolas da caridade e da benevolência. Obrigado!
*   *   *
Mateus, no capítulo vinte e cinco de seu Evangelho, registra o ensinamento do Cristo: Tudo o que fizerdes ao menor dos meus irmãos, é a mim que o fazeis.
A fé, a busca pela verdade, a conquista das virtudes só possuem valor absoluto quando nos conduzem à caridade, porta de entrada à compreensão e à vivência do verdadeiro amor.
Marchemos adiante, sempre em frente, sem jamais nos esquecermos de olhar, vez ou outra para os lados, a fim de estendermos a mão àqueles que necessitem.
Sem cobranças, sem imposições, sem interesses. Auxiliemos, com o entendimento maior de que ali não estão simplesmente o doente, o faminto, o sofredor e, sim, nosso irmão.
Vós sois a luz do mundo e o sal da Terra. Lembremo-nos sempre dessa responsabilidade dada a cada um de nós pelo Mestre Nazareno.
Pensemos nisso!
Redação do Momento Espírita.
Em 28.2.2014.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Aconteceu...


Sábado, 08/03/2014, aconteceu o primeiro encontro do mês com as especiais crianças. Nesta tarde, Fátima iniciou a reunião envolvendo a todos numa linda e objetiva ideoplastia que levou os presentes a se abraçarem fraternalmente. Ao final de cada mês estaremos levantando os pontos positivos deste trabalho que tem por objetivo criar laços entre nós, aprimorar a harmonia interior de cada participante.

O Júlio César preparou dois excelentes vídeos, sendo que um parabenizava a mulher pelo dia internacional da mulher e o outro mostrava o desempenho e entrosamento do nosso Thomás a cada encontro. Foi neste momento que as mães adentraram o salão. Comentamos com Beth, mãe do Thomás, como a cada encontro o relacionamento tem se aprimorado. Ela gostou e receberá um CD contendo as fotos comentadas. Também citamos, CORDAS, um filme de curta metragem de animação espanhol. Vídeo localizado por Bruno Mazzoni.  O filme conta a história de uma menina chamada Maria que criou ligação especial com um novo colega de classe que tem paralisia cerebral. A obra fala de valores, sonhos e inclusão. Vendo as fotos apresentadas pelo Júlio, pudemos identificar como “nossos trabalhadores do C.A.S.A tem, como a menina Maria, características, posturas que ocasionam a inclusão e a partir daí eles constatam novas possibilidades e vencem os atuais desafios. Nossos trabalhadores criam e recriam as atividades de modo que a criança faça cada atividade programada. Outra característica também importante é que eles permitem acontecer o lado criança existente em cada um de nós, o que facilita a interação.

A Danyla como sempre chega ao salão abraçando a todos, logo atrás dela chega a Ana Júlia, neste momento a Natália já rodou todo o salão, logo, logo chega o Gustavo, Thomás, Thaís, Sabrina e o Yan. Cada um a seu modo especial mostra que chegou, reconhece os presentes e demonstram que estão familiarizados com o salão do “Tudo por Jesus”. Neste dia a Marina precisou ficar em casa devido à gripe, mas a Valdete foi e ficou junto com as demais mães. Dani e Kellén estão cativando as mães. Desta vez contamos com a presença da mãe, avó e bisavó da Sabrina. Neste encontro elas trabalharam com o caderno de receitas e confeitaram um bolo. Este trabalho culinário propicia a troca de experiência, mas é sobretudo um mecanismo para tecer uma boa conversa. É uma estratégia de Dani e Kellen. Não pense que elas querem é trabalho! Mais uma vez acompanhei de longe a diversão do grupo.

Luana desenvolveu a aula nº 4. Foi feito o alongamento e o trabalho com bolas visando desenvolver atividades motoras. Diego está craque nesta aula, como foi observado e também dito por ele.

Elzira teve como proposta aplicar o método Braga em sua segunda aula. O objetivo consistia em melhorar a consciência corporal gerando propriocepção espacial; aumentar conexões neuronais de atenção e raciocínio, dentre outros.

Marileia cantou com as crianças: Não atirei o pau no gato, por que...

Ah! Tivemos também o momento livre. Nesse momento surgem diversas brincadeiras!

Mais uma vez foi genial o desempenho do adulto, a criatividade em auxiliar cada criança, a readaptação da criança no grupão, quando se faz necessária. Nossas crianças estão mais freqüentes, mais próximas ao adulto e na avaliação desta tarde a equipe constatou que tudo está fluindo melhor.

Mas antes da avaliação da equipe todos lavaram as mãos, assentaram-se à mesa, ouviram uma prece (Diego detectou essa necessidade), comemos o lanche super saboroso preparado carinhosamente pela Marileia e lógico o bolo muito gostoso feito pela Kellen e confeitado pelas mães.

Terminamos a reunião com breve prece e a Deléia, mãe do Gustavo cantando parabéns.

Muita paz a todas! Todos que estão lá conosco e todos aqueles que se fazem presentes de formas diferenciadas.

Flora