sexta-feira, 8 de maio de 2015

A missão de ser mãe

Que mistério é esse que envolve as mães?

Eis uma pergunta difícil de explicar. Não existe uma única criatura no mundo que não haja experimentado o envolvimento de sua mãe.

Seja um envolvimento positivo, amoroso, seja um envolvimento lamentável, doentio, patológico. Mas, ninguém escapa da presença da mãe.

Alguém pode nascer sem a presença do pai, mas é impossível alguém nascer no mundo sem a presença da mãe.

A mãe é essa criatura tão especial que, muitas vezes, atormenta a vida dos filhos, desejosa de impulsionar as suas vidas.

Muitas vezes abafa o filho, querendo protegê-lo.Quanto é importante essa figura no mundo!

 Em O livro dos Espíritos, de Allan Kardec, ele pergunta aos seres espirituais qual é a missão mais importante dentre aquelas que Deus concedeu aos homens na Terra. Os Imortais respondem a Allan Kardec que a missão mais importante é a da mulher. E complementam - porque é ela que educa o homem.

Quando pensamos nisso, verificamos a importância da mulher consciente, quando ela tem esse apercebimento do seu papel e essa certeza de sua influência, porque não há uma única mãe que não exerça influência sobre seus filhos.

Podemos mesmo ousar e dizer que, como base de todo o bruto, de todo o homem grotesco que houve na Humanidade, havia a figura de uma mulher, sua mãe.

Porque foi ela que fez com que ele não levasse desaforos para casa, foi ela que o ensinou a devolver agressão com agressão, ensinou-o a ser egoísta.

Mas, por baixo da história de todo santo, de todo missionário, de toda criatura do bem, existe a figura de uma mulher, de sua mãe.

Foi ela que disse: Meu filho, quando um não quer, dois não brigam. Meu filho, é melhor um covarde vivo do que um corajoso morto. Meu filho, venha lavar em casa os problemas da rua, porque em casa você encontrará amor. Roupa suja, meu filho, se lava em casa.

Assim, encontramos mães que criaram seus filhos para cima, e mães que empurraram seus filhos para baixo.

Encontramos aquelas que sabem que seus filhos não lhes pertencem, sabem que seus filhos são filhos de Deus essencialmente, são filhos da vida e que para a vida elas os deverão educar.

Há outras que supõem que eles sejam seus pertences, inoculam neles as suas fragilidades, os seus medos, os seus temores, seus pontos de vista.

Aí, começarmos a pensar na trajetória da mãe sobre o mundo, quando ela tiver essa consciência do seu papel junto aos filhos, quando ela admitir que serão seus filhos os professores de amanhã, os médicos, os advogados, os juízes, os políticos.

Quando ela admitir que serão seus filhos que administrarão as cidades, os Estados, os países, que responsabilidades terão em suas mãos, ela própria se tratará melhor, para que não tenha a cabeça infernizada por complexos de culpa, por conflitos e possa passar para os seus filhos esse respeito à vida, esse respeito aos outros.

Jamais essas mães ensinarão aos seus filhos que têm que respeitar os mais velhos, mas ensinarão aos seus filhos que eles têm que respeitar a todo o ser humano, a todo ser vivente. Ensinarão os filhos a amar os vegetais, a proteger as florestas, começando a cuidar dos jardins em casa. Ensinarão o respeito aos animais.

Quem começa das coisas simples, terá capacidade de realizar as coisas complexas.

Ah, mulher mãe! Que mistérios envolverão a sua figura?

*   *   *

A missão da mulher é uma missão misteriosa, porque ela consegue penetrar a alma do seu filho, consegue conhecer seu filho como ninguém.

Se pararmos para pensar, a mulher passa nove meses lunares carregando nas entranhas o seu rebento, nove meses em que ela faz um curso de especialização em percepção fluídica, em percepção psíquica.

Ela capta as emissões do seu feto, do seu filho ainda feto e as interpreta, como qualquer sensitivo interpretaria uma influenciação espiritual sobre seu psiquismo.

É dessa interpretação, das emissões do filho reencarnante que nascem os famosos desejos da mulher durante a gravidez. É a interpretação que ela faz do que está sentindo.

Nem sempre são verdadeiras as interpretações, como nem sempre as criaturas transmitem corretamente aquilo que recebem dos seres espirituais. O fenômeno é o mesmo.

Podemos afirmar que a gravidez corresponde ao período de maior transe mediúnico de que se tem notícia. São nove meses em que a mulher mãe filtra o psiquismo de seu filho. São nove meses em que ela projeta sobre ele seu próprio psiquismo.

Tanto ele conhece a sua mãe intimamente, tanto ela conhece seu filho como ninguém.

A mãe conhece os filhos pelo andar deles, pelo modo deles respirarem, pelo modo de olharem. Ela conhece seu filho.

Jamais um filho se esconderá de sua mãe porque ela conhece suas emissões, seus fluidos, seu psiquismo.

Do mesmo modo, jamais uma mãe se esconderá do seu filho. Ele consegue ler na sua mãe se ela está contente, se ela está triste, se ela está feliz, se ela está aborrecida. Ele consegue ler sem que ela diga nada, por causa dessa habitualidade em conviver um com o outro, com essa intimidade visceral.

As nossas mães são aquele instrumento de que Deus lançou mão para que Ele se manifestasse na Terra, enviando-nos à Terra através delas.

A mulher rica, a mulher inteligente, intelectual quanto a mulher pobre, a mulher simples e ignorante têm a mesma habilidade para ser mãe. Toda mulher, psiquicamente, nasce com essa estrutura para a maternidade.

Às vezes, elas não conseguem ser mães de filhos carnais, mas  são mães dos sobrinhos, são mães dos irmãos mais novos, são mães de todas as crianças que se lhes acerquem, porque é da mulher esse instinto da maternidade, ainda que não tenha seus próprios filhos carnais.

Verificamos que há um mistério notável na maternidade, e esse mistério se chama amor.

Esse amor que vem se desenvolvendo do instinto para a razão. É esse amor, nas devidas dimensões, que faz o ninho entre os irracionais, que faz com que a galinha guarde seus pintainhos sob as asas, que faz com que os felinos lambam suas crias, que faz com que os pássaros ponham na boca dos seus filhotes o alimento que trouxeram no seu próprio estômago.

É isso que se desenvolveu ao longo dos milênios e explodiu cá em cima na coroa humana e recebeu o nome de amor de mãe, profundamente irracional.

A mãe ama seu filho independentemente do que ele seja, de quem ele seja.

O maior santo recebe o amor de sua mãe, o maior vilão, o mais espúrio dos seres recebe o amor de sua mãe.

Em todas as cadeias públicas, nos dias de visita, pode faltar a esposa, o filho, o amigo, nunca a mãe. Ela estará sempre lá, amando seu filho, na felicidade ou na desdita, na alegria ou na tristeza. Porque ser mãe é de fato trazer uma proposta de Deus para aliviar as lutas do mundo.

Enquanto Deus mandar à Terra Seus filhos no seio das mulheres-mães é porque Ele ainda confia no progresso da Humanidade.

  Transcrição do Programa Vida e Valores, de número 147, apresentado
 por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.
Programa gravado em abril de 2008.Exibido pela NET, Canal 20,
Curitiba, no dia 10 de maio de 2009.
Em 06.08.2009.
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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Amor materno e amor filial

Amor materno e
amor filial
 

Apresentamos nesta edição o tema no 143 do Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita, que está sendo aqui apresentado semanalmente, de acordo com programa elaborado pela Federação Espírita Brasileira, estruturado em seis módulos e 147 temas.
Se o leitor utilizar este programa para estudo em grupo, sugerimos que as questões propostas sejam debatidas livremente antes da leitura do texto que a elas se segue.
Se destinado somente a uso por parte do leitor, pedimos que o interessado tente inicialmente responder às questões e só depois leia o texto referido. As respostas correspondentes às questões apresentadas encontram-se no final do texto abaixo.
Questões para debate
1. O amor maternal faz parte das leis da natureza?
2. A missão da maternidade nem sempre é um mar de rosas. Por quê?
3. Que dever compete à mãe, relativamente a seus filhos?
4. Como devemos entender, segundo os ensinos espíritas, o mandamento “Honrai vosso pai e vossa mãe”?
5. Duas causas determinam basicamente a ingratidão dos filhos para com os pais. Quais são essas causas?
Texto para leitura 
A missão materna nem sempre é um mar de rosas
1. O coração materno é, na expressão de um Espírito amigo, “uma taça de amor em que a vida se manifesta no mundo”, mas grave é o ofício da verdadeira maternidade. “Levantam-se monumentos de progresso entre os homens e devemo-los, em grande parte, às mães abnegadas e justas, mas erguem-se penitenciárias sombrias e devemo-las, na mesma proporção, às mães indiferentes e criminosas”, assevera Sebastiana Pires, em “Luz no Lar”, cap. 3, pág. 15. 
2. Ensina o Espiritismo que a Natureza deu à mãe o amor a seus filhos no interesse da conservação deles. Entre os animais, esse amor se limita às necessidades materiais e cessa quando desnecessários se tornam os cuidados. No homem, ele persiste pela vida inteira e comporta um devotamento e uma abnegação que são virtudes, sobrevivendo mesmo à morte e acompanhando o filho até no além-túmulo. 
3. Não se deduza do fato de estar o amor maternal nas leis da natureza que a missão materna seja sempre um mar de rosas, porque não o é. Trata-se, em verdade, de tarefa espinhosa em que a renúncia e as lágrimas fazem morada. 
4. Não é difícil entender por que isso se dá. É que habitualmente renascem juntas, sob os laços da consanguinidade, pessoas que ainda não acertaram as rodas do entendimento no carro da evolução, a fim de trabalharem sobre as arestas que lhes impedem a harmonia. Jungidos à máquina das convenções respeitáveis, no instituto familiar, caminham lado a lado, sob o aguilhão da responsabilidade e da convivência compulsória, para sanarem velhas feridas. 
5. Existem pais que não toleram os filhos e mães que se voltam contra os próprios descendentes, tanto quanto há filhos que se revelam inimigos de seus genitores e irmãos que se exterminam dentro do magnetismo degenerado da antipatia congênita.  
Desde cedo deve a mãe preparar seus filhos para a vida
6. A missão materna reveste-se, portanto, de encargos sublimes, sobretudo nos lares onde Espíritos antagônicos, quando não inimigos, se encontram temporariamente unidos pelos laços do parentesco. A maternidade exige e desenvolve a sensibilidade, a ternura, a paciência, aumentando a capacidade de amar na mulher.  
7. No ambiente doméstico, o coração maternal deve ser o expoente divino de toda a compreensão espiritual e de todos os sacrifícios pela paz da família. A missão materna consiste em dar sempre ao filho o amor que flui de Deus, porque antes de tudo sabemos que nossos filhos são, primeiramente, filhos de Deus.  
8. Desde a infância, compete à mãe prepará-los para o trabalho e para a luta que os espera. Desde os primeiros anos, deve ensinar a criança a fugir do abismo da liberdade, controlando-lhe as atitudes e consertando-lhe as posições mentais, porque essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida. 
9. Ensinará a tolerância mais pura, mas não desdenhará a energia quando necessária. Sacrificar-se-á de todos os modos ao seu alcance pela paz dos filhos, ensinando-lhes que toda dor é respeitável, que todo trabalho edificante é divino e que todo desperdício é falta grave.  
10. Ensinar-lhes-á o respeito pelo infortúnio alheio. Será ela no lar o bom conselho sem parcialidade, o estímulo ao trabalho e a fonte de harmonia para todos. Buscará, enfim, na piedosa mãe de Jesus o símbolo das virtudes cristãs. 
A família é o núcleo de maior importância na sociedade
11. Com relação ao amor filial, é imperioso lembrar que o mandamento “Honrai vosso pai e vossa mãe” é um corolário da lei geral de caridade e de amor ao próximo, conquanto o termo “honrai” encerre um dever a mais – o da piedade filial. Honrar pai e mãe não consiste apenas em respeitá-los, mas também assisti-los na necessidade, proporcionar-lhes repouso na velhice, cercá-los de cuidados tal como fizeram eles com os filhos durante a infância.  
12. Duas causas determinam basicamente a ingratidão dos filhos para com os pais: umas se devem às imperfeições dos filhos; outras resultam de falhas cometidas pelos próprios pais. Com efeito, muitos pais, despreparados para o ministério familial, cometem erros graves que podem influir consideravelmente no comportamento da prole, que então, conforme o seu caráter, se rebela contra aqueles, crucificando-os nas traves ásperas da ingratidão. 
13. Muitos genitores imaturos, que transitam no corpo açulados pelo tormento dos prazeres incessantes, respondem pelo desequilíbrio e desajuste da prole, na desenfreada competição da moderna sociedade. 
14. Há, no entanto, filhos que receberam dos pais as mais prolíferas demonstrações de sacrifício e carinho, aspirando a um clima de paz, de saúde moral, de equilíbrio doméstico, nutridos pelo amor sem fraude e pela abnegação sem fingimentos, e mesmo assim revelam-se frios, exigentes e ingratos. 
15. Apesar disso, o lar – santuário dos pais, escola dos filhos, oficina de experiências – é a mola mestra que aciona a Humanidade, e a família, indiscutivelmente, o núcleo de maior importância no organismo social.
Respostas às questões propostas
1. O amor maternal faz parte das leis da natureza? 
Sim. O amor maternal faz, inequivocamente, parte das leis que regem a vida. 
2. A missão da maternidade nem sempre é um mar de rosas. Por quê? 
O motivo disso é que habitualmente renascem juntas, sob os laços da consanguinidade, pessoas que ainda não acertaram as rodas do entendimento no carro da evolução. Jungidos à máquina das convenções respeitáveis, no instituto familiar, caminham lado a lado, sob o aguilhão da responsabilidade e da convivência compulsória, para sanarem velhas feridas. E, devido a isso, há pais que não toleram os filhos e mães que se voltam contra os próprios descendentes, tanto quanto há filhos que se revelam inimigos de seus genitores. 
3. Que dever compete à mãe, relativamente a seus filhos? 
O coração maternal deve ser o expoente divino de toda a compreensão espiritual e de todos os sacrifícios pela paz da família. A missão materna consiste em dar sempre ao filho o amor que flui de Deus, porque antes de tudo sabemos que nossos filhos são, primeiramente, filhos de Deus. Desde a infância, compete à mãe prepará-los para o trabalho e para a luta que os espera, ensinando-lhes a fugir do abismo da liberdade, controlando-lhes as atitudes e consertando-lhes as posições mentais, porque essa é a ocasião mais propícia à edificação das bases de uma vida. 
4. Como devemos entender, segundo os ensinos espíritas, o mandamento “Honrai vosso pai e vossa mãe”? 
Esse mandamento é um corolário da lei geral de caridade e de amor ao próximo, conquanto o termo “honrai” encerre um dever a mais – o da piedade filial. Honrar pai e mãe não consiste apenas em respeitá-los, mas também assisti-los na necessidade, proporcionar-lhes repouso na velhice, cercá-los de cuidados tal como fizeram eles com os filhos durante a infância.  
5. Duas causas determinam basicamente a ingratidão dos filhos para com os pais. Quais são essas causas? 
Umas se devem às imperfeições dos filhos; outras resultam de falhas cometidas pelos próprios pais. Com efeito, muitos pais, despreparados para o ministério familial, cometem erros graves que podem influir consideravelmente no comportamento da prole, que então, conforme o seu caráter, se rebela contra aqueles, crucificando-os nas traves ásperas da ingratidão.

Bibliografia: 
O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, questão 890.
O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, cap. XIV, item 3.
O Consolador, de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, questão 189.
Após a Tempestade, de Joanna de Ângelis, psicografado por Divaldo P. Franco, pp. 32 e 33.
Terapêutica de Emergência, por Espíritos diversos, psicografado por Divaldo P. Franco, p. 58.
Luz Viva, de Joanna de Ângelis e Marco Prisco, psicografado por Divaldo P. Franco, p. 55.
Luz no Lar, por Espíritos diversos, psicografado por Francisco Cândido Xavier, cap. 3 e 5.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Das leis morais - Da lei do trabalho

SEF – Sociedade Espírita Fraternidade
Estudo Teórico-prático da Doutrina Espírita


Unidade 28
TEMA : Das leis Morais -Da lei do Trabalho: Introdução. Necessidade do
Trabalho, O Trabalho nos Mundos mais aperfeiçoados. O Trabalho e os
Animais. O Trabalho e o Estudo. Limite do Trabalho e do Repouso.

•
Introdução:
Ao analisarmos o Antigo e o Novo Testamento, encontramos 152 vezes a palavra
trabalho. Porém, é no Evangelho de João, capítulo V, versículos 1 à 17, que encontramos
a inesquecível passagem em que Jesus curando o paralítico do tanque de Betesda,
menciona que ele e o Pai trabalham até hoje.

O Sinal em Betesda.

“Depois disto, havia uma festa entre os judeus, e Jesus subiu a Jerusalém. Ora
em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu de
Betesda, o qual tem cinco alpendres. Nestes jazia grande multidão de enfermos: cegos,
mancos e ressicados, esperando o movimento das águas. Porquanto um anjo descia, em
certo tempo, ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que ali descesse, depois do
movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse. E estava ali um homem
que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo. E Jesus, vendo este deitado, e sabendo
que estava neste estado, havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são? O enfermo
respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me
coloque no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim. Jesus disse-lhe:
Levanta-te e toma a tua cama, e anda. Logo aquele homem ficou são, e tomou a sua
cama, e partiu. E aquele dia era Sábado.”

O discurso provocado pelo milagre.

“Então os judeus disseram àquele que tinha sido curado: É Sábado, não te é lícito
levar a cama. Ele respondeu-lhes: Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma a tua
cama, e anda. Perguntaram-lhe, pois: Quem é o homem que te disse: Toma a tua cama, e
anda? E o que fora curado não sabia quem era; porque Jesus se havia retirado, em razão
de, naquele lugar, haver grande multidão. Depois, Jesus encontrou-o no Templo, e disse-
lhe: Eis que já estás são; não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior. E
aquele homem foi, e anunciou aos judeus que Jesus era o que o curara. E, por esta
causa, os judeus perseguiram a Jesus, e procuravam matá-lo, porque fazia estas coisa no
sábado. E Jesus lhes respondeu: Meus Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.”



Nos ensina Emmanuel, no Livro “Caminho, Verdade e Vida, que em todos os
recantos, observamos criaturas queixosas e insatisfeitas.

Quase todas pedem socorro. Raras amam o esforço que lhes foi conferido. A
maioria revolta-se contra o gênero de seu trabalho.

Os que varrem as ruas querem ser comerciantes; os trabalhadores do campo
prefeririam a existência na cidade.

O problema, contudo, não é de gênero de tarefa, mas o de compreensão da
oportunidade recebida.

De modo geral, as queixas, nesse sentido, são filhas da preguiça inconsciente. É o
desejo ingênito de conservar o que é inútil e ruinoso, das quedas no pretérito obscuro.

Mas Jesus veio arrancar-nos da “morte no erro”. Trouxe-nos a bênção do trabalho,
que é o movimento incessante da vida.

Para que saibamos honrar nosso esforço, referiu-se ao Pai que não cessa de
servir em sua obra eterna de amor e sabedoria e à sua tarefa própria, cheia de imperecível
dedicação à humanidade. Quando te sentires cansado, lembra-te de que Jesus está
trabalhando. Começamos ontem nosso humilde labor e o Mestre se esforça por nós,
desde quando?

•
Necessidade do Trabalho –
Segundo Joanna de Ângelis, no seu Livro “Estudos Espíritas”, psicografado por
Divaldo Pereira Franco, no capítulo referente ao Trabalho, pode ser definido
genericamente o vocábulo trabalho, como “a ocupação em alguma obra ou ministério;
exercício material ou intelectual para fazer ou conseguir alguma coisa.”

Prossegue a autora espiritual ensinando que “o trabalho, porém é lei da Natureza
mediante a qual o homem forja (fabrica) o próprio progresso desenvolvendo as
possibilidades do meio ambiente em que se situa, ampliando os recursos de preservação
da vida, por meio da satisfação das suas necessidades imediatas na comunidade social
onde vive.”

Encontramos em “O Livro dos Espíritos”, na Parte Terceira, no capítulo terceiro,
que trata especificamente da Lei do Trabalho, dentro do subtítulo a “Necessidade do
Trabalho”, na questão 674, a indagação se é o trabalho lei da Natureza, a que a
espiritualidade responde:

“O trabalho é lei da Natureza, por isso mesmo que constitui uma necessidade, e a
civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque lhe aumenta as necessidades e os
gozos.”

Rodolfo Calligaris, no seu livro “As Leis Morais”, colaborando no sentido de
melhor detalhar esta resposta, ensina que o trabalho é uma lei da natureza a que
ninguém se pode esquivar, sem prejudicar-se pois é por meio dele que o homem
desenvolve sua inteligência e aperfeiçoa suas faculdades.

Segundo ainda o autor, o trabalho honesto proporciona três realizações que todas
as pessoas buscam:
1) – o trabalho fortalece o sentimento de dignidade pessoal;
2) – o trabalho torna a pessoa respeitada na comunidade em que vive;
3) – o trabalho, quando bem realizado, contribui para a sensação de segurança.

Para que o homem tenha êxito no trabalho, e como tal deve entender-se não
necessariamente o ganho de muito dinheiro, mas uma constante satisfação íntima, faz-se
mister que cada qual se dedique a um tipo de atividade de acordo com suas aptidões e
preferências, sem se deixar influenciar pela vitória de outrem nesta ou naquela carreira,
porquanto cada arte, ofício ou profissão exige determinadas qualidades que nem todos
possuem.


Quem não consiga uma ocupação condizente com o que desejaria, deve, para
não ser infeliz, adaptar-se ao trabalho que lhe tenha sido dado, esforçando-se por fazê-lo
cada vez melhor, mesmo que seja extremamente fácil. Isso ajudará a gostar dele. Quando
se trate de algo automatizado que não permita qualquer mudança, como acontece em
muitas fábricas modernas, o remédio é compenetrar-se de que sua função na empresa
também é importante, assumindo a atitude daquele modesto operário cujo serviço era
quebrar pedras e que, interrogado sobre o que fazia, respondeu com entusiasmo: “estou
ajudando a construir uma catedral”.

Importa, igualmente, se adquira a convicção de que embora apenas alguns
poucos possam ser professores, médicos, engenheiros, advogados ou administradores,
todos, indistintamente, desde que desenvolvam um trabalho prestadio, estão dando o
melhor de si, concorrendo, assim, para o progresso e o bem-estar social, como lhes
compete.

De outro lado, pelo fato de ser uma lei natural, o trabalho deve ser assegurado a
todos os homens válidos que o solicitem, para que, em contrapartida, lhes seja exigido
que provejam às necessidades próprias e da família, sem precisar pedir nem aceitar
esmolas.

O desemprego, e consequentemente a fome, a nudez, o desabrigo, a
enfermidade, a prostituição, o crime, etc., constituem provas de que a sociedade se acha
mal organizada, carecendo de reformas radicais que melhor atendam à Justiça Social.

Como acertadamente disse Constâncio C. Vigil, “constitui dolorosa anomalia
deixar-se o ser humano em situação de não poder defender-se da miséria, até delinqüir ou
morrer. O desempregado tem direito à vida. Por conseguinte, o Estado só pode castigá-lo
pelo roubo se lhe proporciona meios para assegurar a subsistência através do trabalho.”

Por outro lado, os que supõem seja o trabalho apenas um “ganha pão” sem outra
finalidade que não a de facultar os meios necessários à existência, laboram em erro. Se o
fosse, então todos aqueles que possuíssem tais meios, em abundância, poderiam julgar-
se desobrigados de trabalhar.

Em verdade, porém, a lei de trabalho não isenta ninguém da obrigação de ser útil.
Ao contrário. Quando Deus nos favorece, de maneira que possamos alimentar-nos sem
verter o suor do próprio rosto, evidentemente não é para que nos entreguemos ao
hedonismo, mas para que movimentemos, na prática do Bem, os “talentos” que nos haja
confiado.

Isso constitui uma forma de trabalho que engrandece e enobrece nossa alma,
tornando-a rica daqueles tesouros que “a ferrugem e a traça não corroem, nem os ladrões
podem roubar”

Joanna de Ângelis, na mesma obra citada acima, traça um paralelo muito
interessante entre o trabalho remunerado e o que ela chama de “trabalho-abnegação”:

“... Mediante o trabalho remunerado o homem modifica o meio, transforma o
habitat (lugar ou meio onde vive qualquer ser organizado), cria condições de conforto. “

“Através do trabalho-abnegação, do qual não decorre troca nem permuta de
remuneração, ele se modifica a si mesmo, crescendo no sentido moral e espiritual. “

“Utilizando-se do primeiro recurso conquista simpatia e respeito, gratidão e
amizade. Através da autodoação consegue superar-se, revelando-se instrumento da
Misericórdia Divina na construção da felicidade para todos.”

A espiritualidade maior, confirma na questão 676, que o trabalho é imposto ao
homem, por ser uma consequência da sua natureza corpórea, e também um meio de
aperfeiçoamento de sua inteligência. Sem o trabalho o homem permaneceria sempre na
infância, quanto à inteligência. Por isso é que seu alimento, sua segurança e seu bem-
estar dependem do seu trabalho e da sua atividade. Ao extremamente fraco de corpo
outorgou Deus a inteligência, em compensação. Mas é sempre um trabalho.


Desta forma, há o esclarecimento inequívoco de que toda ocupação útil é
trabalho, seja ela material, intelectual, espiritual, etc.

Mais uma vez o entendimento claro e preciso de Joanna de Ângelis vem ao nosso
encontro ao dizer-nos que:

“O trabalho, no entanto, não se restringe apenas ao esforço de ordem material,
física, mas, também, intelectual pelo labor desenvolvido, objetivando as manifestações da
Cultura, do Conhecimento, da Arte, da Ciência.”

•
O Trabalho nos mundos mais aperfeiçoados:
A questão 678 de “O Livro dos Espíritos” é bastante esclarecedora com relação a
este aspecto. É indagado à espiritualidade:

“Em os mundos mais aperfeiçoados, os homens se acham submetidos à mesma
necessidade de trabalhar? Ao que eles respondem: A natureza do trabalho está em
relação com a natureza das necessidades. Quanto menos materiais são estas, menos
material é o trabalho. Mas, não deduzais daí que o homem se conserve inativo e inútil. A
ociosidade seria um suplício, em vez de ser um benefício.”

Complementando o entendimento, o “Evangelho Segundo o Espiritismo”, no seu
capítulo III – Há muitas Moradas na Casa de meu Pai, elucida:

Nos mundos primitivos os seus habitantes são mais rudimentares. “...a força bruta
é, entre eles, a única lei. Carentes de indústrias e de invenções, passam a vida na
conquista de alimentos.”

“Nos mundos que chegaram a um grau superior, as condições da vida moral e
material são muitíssimo diversas das da vida na Terra...”

“Entretanto, os mundos felizes não são orbes (esferas, globos, planetas)
privilegiados, visto que Deus não é parcial para qualquer de seus filhos; ... a todos são
acessíveis as mais altas categorias: apenas lhes cumpre a eles conquistá-las pelo seu
trabalho, alcançá-las mais depressa, ou permanecer inativos por séculos de séculos no
lodaçal na Humanidade”.

Mais uma vez Joanna de Ângelis, agora no livro “Leis Morais da Vida”,
psicografado por Divaldo Pereira Franco, no capítulo “A benção do trabalho” nos ensina
que “o trabalho é, ao lado da oração, o mais eficiente antídoto contra o mal, porquanto
conquista valores incalculáveis com que o espírito corrige as imperfeições e disciplina a
vontade.”

“O momento perigoso para o cristão decidido é o do ócio (desocupação, folga do
trabalho), não o do sofrimento nem o da luta áspera.

“Na ociosidade surge e cresce o mal. Na dor e na tarefa fulguram a luz da oração
e a chama da fé.”

E, reportando-nos mais uma vez, ao livro “Leis Morais de Vida”, encontramos as
mensagens incentivadoras da autora espiritual:

“Não te escuses à glória de trabalhar pelo progresso de todos, do que resultará a
tua própria evolução...”

“O trabalho de boa procedência em qualquer direção produz felicidade e paz.”

“Produz pela alegria de ser útil e ativo, içando (erguendo, levantando) o coração a
Jesus, que sem desfalecimento trabalha por todos nós, como o Pai Celeste que até hoje
também trabalha.”

•
O Trabalho e os Animais: A
questão 677 de “O Livro dos Espíritos” esclarece totalmente a questão.

Questão 677 -Por que provê a Natureza, por si mesma, a todas as necessidades
dos animais?


Resposta -"Tudo em a Natureza trabalha. Como tu, trabalham os animais, mas o
trabalho deles, de acordo com a inteligência de que dispõem, se limita a cuidarem da
própria conservação. Daí vem que o do homem visa duplo fim: a conservação do corpo e

o desenvolvimento da faculdade de pensar, o que também é uma necessidade e o eleva
acima de si mesmo. Quando digo que o trabalho dos animais se cifra (se baseia) no
cuidarem da própria conservação, refiro-me ao objetivo com que trabalham. Entretanto,
provendo às suas necessidades materiais, eles se constituem, inconscientemente,
executores dos desígnios do Criador e, assim, o trabalho que executam também concorre
para a realização do objetivo final da Natureza, se bem quase nunca lhe descubrais o
resultado imediato."
•
O Trabalho e o Estudo: –
A Espiritualidade Superior vem insistindo, através de consecutivas mensagens,
pela necessidade do estudo e do trabalho nas fileiras renovadoras do Espiritismo.

Amor e instrução têm sido, em verdade, a palavra de ordem dos Mensageiros do
Cristo.

Os trabalhadores encarnados, identificando-se com o pensamento e a orientação
dos que acompanham, de Mais Alto, a surpreendente e irresistível marcha da Doutrina,
sentem-se, naturalmente, no dever de secundá-los na recomendação.

Aliás, não é de agora que os Espíritos exortam os homens ao estudo, à instrução,
à cultura -cultura no entanto, que não envaideça o homem, mas o torne humilde,
sinceramente humilde.

O Amor é o Trabalho, a Ação, o Serviço.

A instrução é a leitura, o Estudo, o Conhecimento.

Amor e instrução constituem, por conseguinte, duas alavancas, duas ferramentas
que devem estar, noite e dia, nas mãos dos Espíritas.

Estudo sem amor constitui, quase sempre, experiência simplesmente intelectual,
podendo levar à presunção e à vaidade, ameaçando o aprendiz de queda ou fracasso.

É que, via de regra, consoante adverte Paulo de Tarso, “o saber ensoberbece,
mas o amor edifica”.

Emmanuel, falando-nos ao coração, exorta, também: “Recorda que em Doutrina
Espírita, é preciso estudar e aprender, entender e aplicar”.

Trabalho e Instrução -a fim de que o equilíbrio seja uma constante na vida do
aprendiz e na expansão doutrinária.

Devemos, por isso mesmo, também perguntar:

-Que rumo tomaria o nosso abençoado movimento, se, apenas estudando,
olvidássemos os necessitados do caminho?

Aonde iríamos parar, apenas manuseando livros e devorando mensagens, se nos
alheássemos da fome do pobrezinho, da nudez do órfão, da dificuldade da viúva, da
solidão do encarcerado, do desespero do enfermo incurável?

Que seria do Espiritismo -Consolador Prometido por Jesus -se, estimulando a
cultura, lastimavelmente esquecêssemos a sublime legenda adotada pelo insigne
Missionário lionês: Trabalho, Solidariedade e Tolerância ?

Há, portanto, como se observa, uma dupla, inseparável e indissolúvel
necessidade: Amor e Instrução.

Não poderia, evidentemente, enganar-se o Espirito de Verdade:

“Venho, como outrora, aos transviados filhos de Israel , trazer a Verdade e
dissipar as trevas. Escutai-me” -ao preceitar, nos primórdios do Espiritismo,

o imperativo do Amor e da Sabedoria.
“Espíritas! Amai-vos; este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o
segundo.”

•
O Limite do trabalho: –
Assim como o trabalho é imprescindível para o desenvolvimento da inteligência,
para a evolução das pessoas, da mesma forma também o é, o repouso. E como nos
ensina a questão 682, de “O Livro dos Espíritos”, ele também está dentro das Leis da
Natureza.

Questão 682 -Sendo uma necessidade para todo aquele que trabalha, o repouso
não é também uma lei da Natureza?

Resposta -"Sem dúvida. O repouso serve para a reparação das forças do corpo e
também é necessário para dar um pouco mais de liberdade à inteligência, a fim de que se
eleve acima da matéria."

Na questão 683, indagou-se à espiritualidade: -qual é o limite do trabalho? “O
limite do trabalho é o das forças. Em suma, a esse respeito Deus deixa inteiramente livre o
homem.”

Sendo o trabalho uma lei natural, o repouso é consequente conquista a que o
homem faz jus, para num primeiro momento refazer as forças do corpo, e, na sequência,
para dar um pouco mais de liberdade à inteligência, a fim de que se eleve acima da
matéria. Enquanto o corpo descansa, os laços que o prendem ao Espírito se afrouxam, e
este, com mais liberdade devido à emancipação, pode participar mais diretamente da vida
espiritual.

Cabe neste momento a importantíssima observação de que, durante o tempo
normal de trabalho, devem ser observados os períodos justos do repouso, estejam estes
compreendidos na mesma jornada, ou entre uma e outra, ou através dos períodos anuais
de férias.

Hoje, mais do que nunca, isto é importante, porque a vida urbana se caracteriza
por uma agitação contínua, sendo despendido um gasto excessivo de energias físicas e
mentais.

Cuidemos pois de evitar a exaustão e a estafa, antes que esses males nos
conduzam à neurastenia ou ao esgotamento nervoso.

Por outro lado, ressalvadas as anteriores observações, quando a espiritualidade
menciona que o limite do trabalho é o “das forças”, isto nos deixa claro que, sendo, como
é, fonte de equilíbrio físico e moral, o trabalho deve ser exercido por tanto tempo quanto
nos mantenhamos válidos.

Abalizados psiquiatras e psicanalistas afirmam, com exato conhecimento de
causa, que “todos os seres humanos precisam encontrar alguma coisa que possam fazer”,
pois “ninguém consegue ser feliz sem que se sinta útil ou necessário a alguém”.

Frank C. Cáprio, em sua obra “Ajuda-te pela Psiquiatria”, chega a dizer: ”Tal como

o amor, o trabalho é medicinal. Alivia os males da alma”.
Isto posto, se formos homens de negócios, ao invés de os interrompermos
bruscamente, convém que, ao atingirmos certa idade, diminuamos o ritmo de nossas
preocupações ou o peso de nossas responsabilidades, repartindo-as gradativamente com
nossos auxiliares ou com aqueles que devam suceder-nos, adquirindo, ao mesmo tempo,
algum outro interesse que mantenha ocupado o nosso intelecto.

Se assalariados, que encontremos, ao aposentar-nos, uma ocupação leve, porém
proveitosa, com que preencher saudavelmente nossa vida.

Jamais, em hipótese alguma, condenar-nos à completa ociosidade, a pior coisa
que pode acontecer a alguém.

Benjamim Franklin tinha 81 anos quando foi chamado a colaborar na elaboração
da Carta Magna dos Estados Unidos.

Tomas Alva Edison, tendo começado a trabalhar quando era ainda uma criança,
manteve-se operoso durante cerca de 75 anos, sem nunca ter estado doente. Morreu aos
84, deixando patenteadas mais de mil invenções.


Michelangelo (Michelangelo Buonarroti), escultor, pintor, arquiteto e poeta italiano

– 1475/1564. Dentro de seu genial trabalho, podem ser destacadas as obras: o afresco
Juízo Final da Capela Sistina; a Pietá, magnífica escultura da catedral de Florença; a Pietá
Rondanini do Castelo Sforzesco de Milão; construiu a capela Médici, em que ergueu os
túmulos de Lourenço II e de Giuliano de Médici com quatro alegorias – A Noite e O dia, O
crepúsculo e A aurora. Aos 89 anos ainda continuava produzindo obras de arte.
O Marechal Cândido Rondon, notabilíssimo sertanista brasileiro e um dos
grandes benfeitores da Humanidade, falecido em 1958, aos 92 anos de idade, trabalhou
intensamente até a decrepitude, malgrado a rudeza do meio em que passou a quase
totalidade de sua fecunda existência.

Rockefeller, ao completar 90 anos, declarou: -“Sou o homem mais feliz do
mundo. Parece-me começar o viver agora. Sou feliz porque posso trabalhar. Os dias não
são suficientemente longos para que eu possa fazer tudo o que desejo. Indubitavelmente,

o trabalho é o segredo da felicidade.”
Cora Coralina (Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas), escritora brasileira,
nascida em Goiás Velho em 1889, desencarnando em Goiânia em 1985, com 96 anos de
idade. Tendo apenas instrução primária e sendo doceira de profissão, notabilizou-se por
sua poesia ingênua. Publicou: Becos de Goiás (1977 – com 88 anos); e Vinténs de cobre:
meias confissões de Aninha (l983 – com 94 anos). Nesse ano, recebeu o Troféu Juca
Pato, da união Brasileira de Escritores, que a elegeu a Intelectual do Ano.

Nosso maior exemplo, no entanto, encontramos em FRANCISCO CÂNDIDO
XAVIER, nascido em Pedro Leopoldo, modesta cidade de Minas Gerais, em 2 de abril de
1910. Vive, desde 1959, em Uberaba, no mesmo Estado.

Depoimento de Chico Xavier: "(...) Deus nos permita a satisfação de continuar
sempre trabalhando na Grande Causa d'Ele, Nosso Senhor e Mestre.”

A Palavra de Chico Xavier ao completar Quarenta Anos De Mediunidade
(1967)


"Estes quarenta anos de mediunidade passaram para o meu coração como se
fossem um sonho bom. Foram quarenta anos de muita alegria, em cujos caminhos, feitos
de minutos e de horas, de dias, só encontrei benefícios, felicidades, esperanças, otimismo,
encorajamento da parte de todos aqueles que o Senhor me concedeu, dos familiares,
irmãos, amigos e companheiros. Quarenta anos de felicidade que agradeço a Deus em
vossos corações, porque sinto que Deus me concedeu nos vossos corações, que
representam outros muitos corações que estão ausentes de nós. Agora, sinto que Deus
me concedeu por vosso intermédio uma vida tocada de alegrias e bênçãos, como eu não
poderia receber em nenhum outro setor de trabalho na Humanidade. Beijo-vos, assim, as
mãos, os corações. Quanto ao livro, devo dizer que, certa feita, há muitos anos,
procurando o contato com o Espírito de nosso benfeitor Emmanuel, ao pé de uma velha
represa, na terra que me deu berço na presente encarnação, muitas vezes chegava ao
sítio, pela manhã, antes do amanhecer. E quando o dia vinha de novo, fosse com sol,
fosse com chuva, lá estava, não muito longe de mim, um pequeno charco. Esse charco,
pouco a pouco se encheu de flores, pela misericórdia de Deus, naturalmente. E muitas
almas boas, corações queridos, que passavam pelo mesmo caminho em que nós
orávamos, colhiam essas flores, e as levavam consigo com transporte de alegria e
encantamento. Enquanto que o charco era sempre o mesmo charco. Naturalmente,
esperando também pela misericórdia de Deus, para se transformar em terra proveitosa e
mais útil. Creio que nesses momentos, em que ouço as palavras desses corações
maravilhosos, que usaram o verbo para comentar o aparecimento desses cem livros,
agora cento e dois livros, lembro este quadro que nunca me saiu da memória, para
declarar-vos que me sinto na condição do charco que, pela misericórdia de Deus, um dia
recebeu essas flores que são os livros, e que pertencem muito mais a vós outros do que a


mim. Rogo, assim, a todos os companheiros, que me ajudem através da oração, para que
a luta natural da vida possa drenar a terra pantanosa que ainda sou, na intimidade do meu
coração, para que eu possa um dia servir a Deus, de conformidade com os deveres que a
Sua infinita misericórdia me traçou. E peço, então, permissão, em sinal de agradecimento,
já que não tenho palavras para exprimir a minha gratidão. Peço-vos, a todos, licença para
encerrar a minha palavra despretensiosa, com a oração que Nosso Senhor Jesus Cristo
nos legou."

Em 1997, Chico Xavier completou 70 anos de incessante atividade mediúnica, da
maior significação espiritual, em prol da Humanidade, abrangendo seus mais diversos
segmentos. Até essa data, outubro de 1997, Francisco Cândido Xavier havia psicografado
mais de 400 (quatrocentas) obras mediúnicas, de centenas de autores espirituais,
abarcando os mais diversos e diferentes assuntos, entre poesias, romances, contos,
crônicas, história geral e do Brasil, ciência, religião, filosofia, literatura infantil, etc.
Problemas orgânicos acompanharam-lhe a mocidade e a madureza.

Hoje, nos seus abençoados 90 anos de sua vida corporal e 73 de atividades
mediúnicas, as dificuldades físicas continuam trazendo-lhe problemas. Releva observar
que as doenças oculares a as intervenções cirúrgicas jamais o impediram de cumprir, fiel
e dignamente, sua missão de amparo aos necessitados. Sua postura é uma só, obedece a
uma só diretriz: amor ao próximo, desinteresse ante os bens materiais, preocupação
exclusiva e constante com a felicidade do próximo. Ricos e pobres, velhos e crianças,
homens e mulheres de todos os níveis sociais têm encontrado, no homem e no médium
Chico Xavier, tudo quanto necessitam para o reajuste interior, para o crescimento, em
função do conhecimento e da bondade. Francisco Cândido Xavier é um presente do Alto
aos séculos XX e XXI enriquecendo-lhe os valores com a sua vida de exemplar cidadão,
com milhares de mensagens psicográficas que, em catadupas de paz e luz, amor e
esclarecimento, vêm fertilizando o solo planetário, sob a luminar supervisão do Espírito
Emmanuel.

Bibliografia:

Kardec, Allan – O Livro dos Espíritos – Das Leis Morais – parte Terceira, cap. III – Da Lei do Trabalho.
Kardec, Allan – O Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. III Há muitas moradas na Casa de meu
Pai. Item 8.
Xavier, Francisco Cândido Xavier – Caminho, Verdade e Vida – pelo Espírito Emmanuel – Cap. 4
Trabalho.
Franco, Divaldo Pereira – Leis Morais da Vida– pelo Espírito Joanna de Ângelis – A Benção do
trabalho.
Franco, Divaldo pereira -Estudos Espíritas – pelo Espírito Joanna de Ângelis – Trabalho.
Franco, Divaldo pereira -Otimismo – pelo Espírito Joanna de Ângelis – Ociosidade.
Denis, Léon -Depois da morte -Trabalho, sobriedade, continência -Quinta parte, Cap. LII, p. 303.


Calligaris, Rodolfo -As Leis Morais -A Lei de Trabalho; Limite do trabalho; O repouso.
Peralva, Martins – Estudando o Evangelho – Cap. Estudo e Trabalho.
Apostila da Federação Espírita do Paraná – Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita – Unidade II
Das Leis Morais -subunidade 3 – Da Lei do Trabalho – Necessidade do Trabalho; Limite do Trabalho
e do Repouso.
Enciclopédia Larousse Cultural – volumes 7 e 16.





AMOR MATERNO E FILIAL - LIVRO DOS ESPÍRITOS - 890 ATE 893